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OS PRÉDIOS TORTOS DE SANTOS: O QUE ACONTECEU?

Provavelmente você já deve ter visto ou ouvido falar sobre os prédios tortos de Santos e deve ter questionado: “Mas será que é verdade?” “O que aconteceu?” “Como evitar?”

 

Bom vocês vão entender ao longo deste artigo que sim, é verdade! E que mesmo com a tecnologia que temos hoje, ainda é complicado prever se as novas edificações irão recalcar ou não.

 

Eu decidi abordar este assunto após ter passado por Santos no mês de abril e ter recebido o questionamento: “Carlos, porque que isso aconteceu?” Embora nós da engenharia civil tenhamos uma ideia do porquê, não necessariamente sabemos o que realmente aconteceu, qual foi o erro, ou se teve algum erro. E isso me intrigou, se isso também te deixa curioso (a), não deixe ler.

 

  • REFERÊNCIA UTILIZADA

Para esse “artigo” eu utilizei como referência principal a monografia “Análise do comportamento de edifícios apoiados em fundação direta no bairro da Ponta da Praia na cidade de Santos” da Marianna Silva Dias (USP, 2010). Que inclusive, eu indico a leitura para aqueles que tiverem curiosidade em se aprofundar um pouco mais neste tema e buscar mais quesitos técnicos. [Você pode acessar o trabalho clicando aqui.]

 

  • O QUE ACONTECEU COM OS PRÉDIOS DE SANTOS?

Bom, em um primeiro momento é muito simples! Eles recalcaram... Mas como assim recalcaram?

 

O recalque consiste no rebaixo de um ou mais pilares ou fundações da edificação, deixando-a torta. Deste modo, como podemos ver abaixo, os prédios ficaram tortos. E não, não caíram!! Estando assim estão desde a década de 70.

 

 

Todos nós sabemos que é fundamental TODAS, sim, eu disse TODAS as construções terem os projetos arquitetônico e complementares (fundações, estrutural, hidráulico, elétrico e outros se for o caso), assim, você pode estar se perguntando:

 

“Porque vou gastar com os projetos, se a minha construção pode afundar do mesmo jeito?”

 

É uma boa pergunta, a qual nos leva a frisar que a engenharia não é uma ciência exata, e que também dependemos da natureza. Entretanto, não é para acontecer. E quando acontece o projetista e o responsável técnico pela obra são responsáveis por tal patologia.

 

“Mas Carlos, porquê aconteceu em Santos então?”

 

Para responder à esta pergunta, precisamos lembrar que os prédios que estamos nos referindo foram construídos nas décadas de 50 e 60, quando haviam menos tecnologias disponíveis, dificultando todo o processo.

 

Hoje nós sabemos que o solo de Santos possuí uma determinada característica, e com as tecnologias atuais, conseguimos chegar até a profundidade “ideal” (aproximadamente 55 metros). Entretanto, lá em meados da década de 1950, os construtores embora soubessem dos riscos, achavam que a camada superficial da orla da praia iria conseguir resistir à todas aquelas cargas, tendo em vista que de 6 a 20 metros o solo é compacto, oferecendo uma boa resistência.

O que eles não esperavam era que abaixo desta primeira camada havia um solo extremamente mole, tendo pontos com sua resistência igual a 0.

 

Trazendo para o lado técnico, o SPT da primeira camada de solo varia de 9 a 30 golpes, enquanto a segunda camada varia de 0 a 4 golpes.

 

Sabendo então que a 1ª camada de solo era compacta, utilizaram de fundações rasas para executar os prédios de aproximadamente 10 andares. Com o tempo de atuação dessas cargas sobre o solo e a construção de novos prédios na vizinhança o solo começo a se sentir incomodado, que foi onde as fundações começaram a ceder/recalcar. (Indico a leitura sobre bulbo de tensões das fundações para compreender um pouco mais sobre edificações próximas – veja a próxima foto).

 

Com isso, os engenheiros começaram a projetar fundações interligadas entre si através de vigas, na tentativa de evitar esse tipo de patologia. Solução que não foi totalmente eficaz também. Neste caso você pode se perguntar:

 

“Mas se eles já sabiam, porque não começaram executar fundações profundas?”

 

Bom, como tudo gira em torno do “faça-me rir”, neste caso não era diferente. O custo de uma fundação profunda era muito caro na época (décadas de 70 e 80), inclusive, os maquinários para ultrapassarem essa primeira camada de solo compacto, tinham muita dificuldade, tornando-se praticamente inviável.

 

Hoje, de acordo com Dias (2010) o custo é reduzido, as técnicas são mais desenvolvidas e os problemas das fundações rasas já são conhecidos, deste modo, as construções atuais vêm sendo executadas com fundações profundas, embora ainda exista a dificuldade de se saber o que há no solo abaixo dos 50 metros e quais são os seu comportamentos.

 

Dias (2010) também destaca que edificações de até 16 pavimentos, com fundações desejáveis de 20-30 metros podem ser executadas com estacas flutuantes apoiada na segunda camada, como por exemplo fundações pré-moldadas ou de hélice contínua ou não.

 

Para as edificações que possuem uma carga mais elevada, onde é necessário atingir solos mais profundos e passar pela camada de argila mole, Dias (2010) cita que o utilizado são: Estaca escavada de grande diâmetro com uso de lama bentonítica ou polímero; estaca metálica; ou estaca raiz.

 

  • CONCLUSÃO

Por fim, concluímos que devido às dificuldades, à falta de conhecimento e aos altos custos, as fundações dos prédios tortos de Santos foram executadas com sapatas (fundação rasa) sobre uma camada de solo firme, que se apoia em solos sem resistência alguma, e com o passar do tempo e a construção de mais prédios, o solo começou a se movimentar, deixando que a fundação de alguns prédios rebaixasse.

 

Hoje ainda existem certas dificuldades, porém, a fundação utilizada é profunda, dando mais estabilidade aos edifícios.

  • CURIOSIDADE

1) Se você se interessou por este artigo, dê uma lida também sobre a Torre de Pisa que teve um problema parecido. Clique aqui para acessar o nosso artigo.

 

2) Se você chegou aqui, vale levantar uma dúvida: Em Santos ou até mesmo a Torre de Pisa, é possível diminuir a inclinação desses prédios? Se for possível, como podemos realizar? Assistam ao vídeo abaixo e não deixem de acompanhar as nossas próximas publicações.

 

 

Escrito por: Carlos Alberto G. S. M. Machado, Engenheiro Civil formado na UniFil, em 2013. Pós-Graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UTFPR-Londrina, em 2016. E-mail: carlos@aegrupo.com.br

REFERÊNCIA DAS FOTOS:

 

http://joaofarias03.blogspot.com.br/2010/07/os-predios-tortos-de-santos.html

https://petciviluem.com/2014/08/30/predios-inclinados-de-santos/

http://www.melhordesantos.com/

http://www.jlfundacoes.com/engenharia-de-fundacoes/

http://www.geofix.com.br/servico-ehc.php

https://www.completoengenheiro.com/entenda-a-aplicacao-da-lama-bemtoni

http://construcaomercado17.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/120/estaca-escavada-com-polimero-x-lama-bentonitica-299509-1.aspx

http://www.solucoesindustriais.com.br/empresa/maquinas-e-equipamentos/hammertec/produtos/maquinas-ferramenta/estacas-metalicas-para-fundacao-

http://www.embrafe.com.br/cravacao-estaca-prancha-metalica

http://www.solotrat.com.br/execucao-de-estaca-raiz

http://brunodanielguilherme.comunidades.net/estaca-raiz

 

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