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COMO FAZER UM ATERRO BEM FEITO

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O aterro é uma pratica muito comum em terrenos com desnível, e que infelizmente a maior parte dos profissionais (pedreiros, serventes, arquitetos e engenheiros) não dão a devida atenção, ou por acharem que não há necessidade ou pela economia de tempo e dinheiro. Entretanto, destaco desde já que muitos laudos técnicos que já realizei com recalque da estrutura, em sua maioria era devido ao mal aterramento do terreno, e claro, em alguns casos o sub dimensionamento das fundações.

 

Para entendermos um pouco mais sobre como realizar um aterro, é fundamental entendermos na exatamente que é o aterro. De acordo com o dicionário, aterro é um lugar que se elevou/nivelou com terra, ou seja, quando queremos deixar um terreno ou qualquer outra área plana (reta) em um certo nível, podemos colocar terra ou outros materiais para chegar nessa altura desejada.

Embora sabemos que muitas pessoas utilizam entulho e outros tipos de resíduos para aterramento, devo deixar claro, que essa não é a pratica correta, tendo em vista que estes materiais não geram uma resistência adequada de coesão entre os elementos, deixando diversos vazios, diminuindo a resistência e aumentando a infiltração de água.

Quanto maior for a porcentagem de vazios do solo, menor será a sua resistência, e consequentemente quando diminuem os vazios, a sua resistência aumenta, aumentando também a sua estabilidade e seu peso especifico.... Por isso é importante não se usar resíduos para um aterro com a finalidade de construção ou pavimentação, e sim, um solo limpo sem resíduos e sem matérias orgânicas. Além dos pontos citados, durante a perfuração das fundações, o resíduo pode gerar diversos problemas e até mesmo inviabilizar a execução da mesma.

 

De acordo com a NBR 5681, é obrigatório o controle tecnológico (desvio de umidade, grau de compactação, massa especifica natural, seca, ótima e outros ensaios) para aterros que irão receber fundações ou pavimentação, ou que sejam mais altos do que 1 metro de altura ou ainda que seu volume seja superior a 1000m³, lembrando que o grau mínimo indicado de compactação deve ser de 95%.

 

De acordo com o livro “A Técnica de Edificar” de Walid Yazigi (2009, p. 165) a boa técnica do aterramento deverá seguir o seguinte processo:

 

“As superfícies a serem aterradas deverão ser previamente limpas, cuidando-se para que nelas não haja nenhuma espécie de vegetação (cortada ou não) nem qualquer tipo de entulho, quando do início dos serviços. Os trabalhos de aterro e reaterro das cavas de fundação terão de ser executados com material escolhido, de preferência areia ou terra (nunca turfa nem argila orgânica), sem detritos vegetais, pedras ou entulho, em camadas sucessivas de 30 cm (material solto), devidamente molhadas e apiloadas, manual ou mecanicamente, a fim de serem evitadas ulteriores fendas, trincas e desníveis em virtude de recalque nas camadas aterradas. Na eventualidade de ser encontrado na área algum poço ou fossa sanitária em desuso, precisa ser providenciado o seu preenchimento com terra limpa. No caso de fossa séptica, deverão ser removidos todos os despejos orgânicos eventualmente existentes, antes do lançamento da terra. Todo movimento de terra que ultrapasse 50 m³ terá de ser executado por processo mecânico. Após a execução dos elementos de fundação ou o assentamento de canalização, é necessário processar o preenchimento das valas em sucessivas cantadas de terra com altura máxima de 20 cm (material solto), devidamente umedecidas e apiloadas”.

 

Resumindo: O ideal é que a maior parte dos aterros sejam realizadas em camadas de 30 em 30 cm, devidamente molhadas e apiloadas manualmente ou mecanicamente, e além disso, que seja realizado constante controle tecnológico. Porém, sabemos que esta boa prática se torna inviável para construções de pequeno porte, sendo assim, particularmente (opinião minha, sem base teórica), os aterros podem ser realizados com camadas de 1 metro, desde que olhados e apiloados mecanicamente.

 

Devo destacar também é muito importante o aterro passar por um período, mesmo que curto, de chuvas também, com a finalidade de compactar ainda mais.

 

POR FIM, DESTACO OS 5 PONTOS ABAIXO:

 

O projeto de fundações precisa ser muito bem elaborado por um profissional habilitado, desconsiderando a altura do aterro..... ou seja, a fundação só começa a contar a partir do solo natural do terreno;

 

É fundamental um muro de arrimo bem executado e com dreno que satisfaça a drenagem de todo o terreno aterrado. Tenham muito cuidado! Pois já vi diversos muros desabarem por má execução ou falta de projeto;

 

Sempre realizem um ensaio de SPT para saber exatamente qual é o solo que você está lidando;

 

Procure sempre usar as boas técnicas da Engenharia, sempre que possível é fundamental que as normas sejam seguidas, por segurança de todos;

 

Sempre procure um profissional da área, e caso você seja esse profissional e tenha receio com algum dos pontos citados, não exite em procurar alguém mais experiente, já fiz muito isso e sempre que precisar voltarei à fazer.

 

 

 

Leia também:

 

EXECUTANDO ATERROS SEM PATOLOGIAS - FÓRUM DA CONSTRUÇÃO

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Escrito por: Carlos Alberto G. S. M. Machado, Engenheiro Civil formado na UniFil, em 2013. Pós-Graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UTFPR-Londrina, em 2016. E-mail: carlos@aegrupo.com.br

 

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